Posts Tagged ‘Diário de Memórias’

Dez – Noves Fora Um

221.

Tenho sido sempre um sonhador irônico, infiel às promessas interiores. Gozei sempre, como outro e estrangeiro, as derrotas dos meus devaneios, assistente casual ao que pensei ser. Nunca dei crença àquilo em que acreditei. Enchi as mãos de areia, chamei-lhe ouro, e abri as mãos dela toda, escorrente. A frase fora a única verdade. Com a frase dita estava tudo feito; o mais era a areia que sempre fora. (mais…)

Nove – Bolo de Amor

Dias e dias querendo bater bolo pro infante, sem conseguir arranjar espaço, atabalhoada com o repuxo da vida. E pra bater bolo tem que ter disposição, pois eu mesma só sei fazer batendo na mão, como voinha ensinou. Bate a manteiga com o açúcar até esbranquiçar, vai misturando as gemas, leite, farinha, fermento, chocolate, acendo o forno pra aquecer que bolo só presta com forno bem quente e me dano a bater as claras em neve (com uma pitadinha de sal). O braço reclama, mas a gente persiste, pois o amor tem que ser maior que o tremor do músculo cansado. Se não tiver amor, paciência, cuidado, o bolo “sola”, fica embatumado. (mais…)

Cinco – Tristeza é a Falta de Alegria


Vi esse vídeo com o artista e poeta paranaense Hélio Leites hoje e me emocionei muito. Pura e simples inspiração para uma bela reflexão neste quinto dia.

“Às vezes, essas coisas são pequenininhas… E tudo que você jogar na humanidade, tudo que você jogar para o cosmos vira proposta. Meu objetivo, por exemplo, é pegar uma caixinha de fósforo e tentar consertar o mundo. Como é que a gente conserta o mundo com uma caixinha de fósforos vazia? Você sonha dentro da caixinha de fósforos (…). A filosofia do meu negócio é essa: eu pego uma caixinha de fósforos, transformo ela numa peça e transformo em ponte. E a gente vai consertar o mundo quando a gente fizer ponte entre as pessoas. Às vezes, eu não sei o que elas vão fazer quando se juntarem, mas sempre que você separa duas pessoas você dobra o problema do mundo.” (mais…)

Quatro – Barbas

Hoje acordei de assalto, num susto maior do mundo com uma borboletona daquelas pretas (chamadas de bruxas) se estatelando entre as paredes do quarto e dando rasantes sob minha cabeça, fiquei assim assoberbada com os afazeres domésticos e meio sem vontade de escrever. Quer dizer, mentira, que escrever eu tenho vontade sempre, mas é que fiquei sem assunto sabe?! E muito ocupada com coisas chatas. Pois bem. (mais…)

Três – Juntando Retalhos

Domingo é dia de família. Clichê universal eu sei, mas tem como ser diferente?! E família não precisa ter laços de sangue, sobrenome, parentesco, nada disso. Família mesmo, aquela que segue junto faça chuva ou faça sol, a gente escolhe é com o coração ao longo da vida. Eu tenho a sorte de ter uma enorme família, mas hoje dedico meu domingo a Celinha do Cariri e Chico Januário. (mais…)